Bruno Compri

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Com 2.337 participantes, a nova edição da pesquisa da PM3 traz um retrato aprofundado sobre salários, carreira, empresas mais admiradas, maturidade das organizações e adoção de Inteligência Artificial no mercado de Produto brasileiro.

Chegamos à 7ª edição do Panorama do Mercado de Produto da PM3. E, depois de meses coordenando a construção desta pesquisa, posso dizer que alguns resultados merecem uma atenção especial.

Nesta edição, reunimos respostas de 2.337 profissionais, que compartilharam suas experiências, expectativas e percepções sobre o mercado. Foram 52 perguntas principais, distribuídas em sete grandes temas, e diversos cruzamentos de dados que nos ajudaram a investigar questões que já apareciam nas discussões da comunidade.

Queríamos entender, por exemplo, se a carreira de especialista realmente oferece as mesmas oportunidades financeiras que a gestão. Se a maior presença de mulheres na área também se reflete nas posições de liderança e na remuneração. Quais empresas continuam sendo referências para os profissionais. E até que ponto a Inteligência Artificial já faz parte da rotina de Produto.

Ao longo da análise, encontramos algumas respostas bastante interessantes.

O salário médio voltou a crescer, mas ficou abaixo da inflação. Mais da metade dos profissionais considera mudar de emprego nos próximos seis meses. O iFood assumiu a liderança entre as empresas mais admiradas. E a IA já aparece tanto entre as principais prioridades de desenvolvimento quanto nas práticas cotidianas de Produto.

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Também identificamos desafios que acompanham o mercado há algum tempo, como a diferença salarial entre homens e mulheres, a falta de clareza sobre progressão de carreira e a dificuldade de conectar entregas a resultados de negócio.

O que torna esta edição particularmente interessante é a possibilidade de observar essas questões em conjunto.

Quando olhamos apenas para os salários, temos uma parte da história. Quando cruzamos remuneração com senioridade, gênero e trajetória profissional, começamos a entender melhor como as oportunidades estão distribuídas.

O mesmo acontece com a maturidade das empresas. Muitos profissionais dizem trabalhar em organizações com uma visão estratégica clara, mas uma parcela bem menor considera que essas empresas alcançaram um nível elevado de maturidade em Produto.

Essas relações ajudam a construir um retrato mais completo do momento que estamos vivendo.

Neste artigo, reuni os resultados que considero mais relevantes do Panorama do Mercado de Produto 2026–2027 e algumas reflexões que surgiram durante a construção do estudo.

O relatório completo está disponível gratuitamente para quem quiser explorar os dados em profundidade.

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Um mercado com maior presença feminina, mas que ainda apresenta desigualdades

Uma das primeiras mudanças que observamos nesta edição está no perfil dos participantes.

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As mulheres representam 54,51% da amostra, um avanço em relação aos 48,72% registrados em 2025.

A presença feminina também aparece na maior parte dos principais cargos de Produto. Entre Product Marketing Managers, por exemplo, 74,12% das pessoas que responderam à pesquisa são mulheres cis.

Mas existe um cruzamento que merece atenção.

Embora as mulheres representem 50,44% dos profissionais em níveis de gestão, a proporção de pessoas que exercem liderança formal ainda apresenta diferenças.

Entre mulheres cis, 27,16% possuem responsabilidade formal pela gestão de pessoas. Entre homens cis, esse percentual chega a 34,85%. É uma diferença de 7,69 pontos percentuais. Esse resultado nos ajuda a aprofundar uma discussão importante sobre carreira. Estar em um determinado nível hierárquico e ter acesso efetivo às responsabilidades de liderança são aspectos que precisam ser observados separadamente.

Quando olhamos para as edições anteriores, também encontramos uma mudança interessante. Em 2023, as mulheres representavam 38,78% dos profissionais em níveis de gestão. Em 2024, eram 35,77%. Já em 2025, chegaram a 49,73%, alcançando 50,44% nesta edição.

O histórico mostra uma mudança importante na composição dos respondentes em posições de gestão, que passaram de uma maioria masculina expressiva para uma distribuição próxima da paridade.

Outro dado reforça essa discussão. Entre os Diretores de Produto e CPOs participantes, 88% são homens cis. Como esse recorte possui poucos respondentes, precisamos ter cautela ao interpretá-lo. Ainda assim, quando analisamos o conjunto de informações sobre gênero, progressão e remuneração, encontramos questões relevantes sobre como as oportunidades são distribuídas ao longo da carreira.

A composição da amostra também mudou em outros aspectos.

A participação de profissionais pretos ou pardos, por exemplo, passou de 21,74% em 2023 para 29,91% em 2026. Já São Paulo, que representava 55,18% dos participantes em 2020, aparece pela primeira vez com menos da metade da amostra, chegando a 48,10%.

Esses movimentos mostram uma composição mais diversa entre os participantes ao longo das edições. Naturalmente, precisamos considerar que mudanças no alcance da pesquisa também podem influenciar esses resultados.

A remuneração voltou a crescer. O poder de compra, porém, continua pressionado

Salários sempre estão entre os assuntos mais aguardados do Panorama, e nesta edição tivemos alguns resultados importantes.

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A remuneração média estimada dos participantes chegou a R$ 13.011 em 2026, um crescimento nominal de 3,55% em relação ao ano anterior.

Esse aumento ficou abaixo do IPCA de 4,22% utilizado como referência no estudo.

Quando olhamos para a série histórica, o resultado ganha um contexto interessante.

Em 2023, a remuneração média estimada havia chegado a R$ 13.295, o maior valor nominal registrado até então. Em 2024, tivemos uma queda para R$ 12.075, seguida de uma recuperação em 2025, quando a média alcançou R$ 12.565.

Com o resultado de 2026, chegamos ao segundo ano consecutivo de crescimento nominal, embora ainda abaixo do valor registrado em 2023.

Outro ponto que investigamos foi a diferença de remuneração entre homens e mulheres.

A média estimada entre mulheres cis foi de R$ 12.271, enquanto entre homens cis chegou a R$ 13.994. Estamos falando de uma diferença de 12,3%, que também aparece em oito dos nove principais cargos de Produto analisados. O dado se torna ainda mais relevante quando lembramos que a amostra desta edição é majoritariamente feminina.

A discussão sobre remuneração também nos levou a investigar um tema bastante presente nas conversas de carreira em Produto, a diferença entre as trilhas de especialista e gestão. E encontramos uma distância considerável entre elas. Apenas 11% dos profissionais no nível de Especialista recebem acima de R$ 21 mil. Na Gerência, esse percentual chega a 53,6%. Entre profissionais de Diretoria e C-level, alcança 75,8%.

Esse foi um dos cruzamentos que mais me chamou a atenção.

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Há alguns anos, discutimos a importância de desenvolver carreiras que permitam crescimento e reconhecimento para profissionais que desejam se aprofundar tecnicamente. Os resultados mostram que ainda existe uma diferença expressiva no acesso às maiores faixas salariais.Para quem está planejando os próximos passos da carreira, esse é um ponto que merece ser considerado. Para as empresas, os dados também ajudam a refletir sobre como valorizam e remuneram profissionais especialistas.

Mais da metade dos profissionais considera mudar de emprego

Outro resultado que considero bastante representativo do momento atual é a intenção de mudança profissional.

Na edição de 2026, 54,86% dos respondentes afirmaram estar buscando uma nova oportunidade, participando de processos seletivos ou considerando mudar de emprego nos próximos seis meses.

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Quando investigamos o que pesa nessa decisão, encontramos três prioridades muito próximas.

Remuneração, modelo remoto ou híbrido e equilíbrio entre vida pessoal e profissional lideram o ranking ponderado.

Um detalhe interessante é que cultura organizacional aparece como a alternativa mais escolhida quando observamos exclusivamente a primeira prioridade dos participantes, com 21,01%.

Isso nos mostra como diferentes dimensões da experiência profissional influenciam as decisões de carreira.

Na edição anterior, flexibilidade na escolha do regime de trabalho e modelo híbrido ou remoto estavam entre os fatores mais valorizados, ambos com 14,03%.

Em 2026, a remuneração ocupa a primeira posição do ranking ponderado, mas o modelo remoto ou híbrido continua praticamente empatado em pontuação.

Como alteramos a metodologia dessa pergunta, os percentuais entre as duas edições não são diretamente comparáveis. Ainda assim, salário e flexibilidade continuam aparecendo entre as principais preocupações dos profissionais.

Também perguntamos qual aumento salarial seria necessário para considerar uma mudança de emprego.

Para 64,65% dos participantes, seria preciso ganhar mais de 20% acima da remuneração atual. E 30,33% esperariam um aumento superior a 30%.

Ao relacionarmos esses resultados, fica evidente a importância de olhar para a experiência profissional de maneira mais ampla.

A possibilidade de crescimento, a qualidade da liderança, a flexibilidade e a remuneração aparecem como elementos relevantes para compreender o que faz um profissional permanecer ou buscar novos caminhos.

As empresas mais admiradas pelos profissionais de Produto em 2026

Um dos rankings mais aguardados do Panorama também trouxe novidades nesta edição.

Depois de três edições consecutivas com o Nubank na liderança, o iFood assumiu a primeira posição entre as empresas mais admiradas pelos profissionais de Produto.

O Nubank passou para o segundo lugar, enquanto o Itaú registrou o maior avanço dentro do Top 5, saindo da quinta para a terceira colocação.

O que achei particularmente interessante foi perceber que nenhuma das empresas que estavam no Top 10 em 2025 deixou o grupo em 2026.

As mesmas organizações continuam entre as mais admiradas, mas tivemos mudanças importantes nas posições.

Ranking das 10 empresas mais admiradas em 2026

Fonte: Panorama do Mercado de Produto 2026–2027, PM3.

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Além da troca de liderança, outros movimentos chamam a atenção.

O Mercado Livre avançou uma posição, assim como Amazon e Apple. O Google passou do quarto para o sexto lugar, enquanto o Spotify manteve a décima colocação.

Esse resultado mostra como algumas empresas continuam bastante presentes nas referências dos profissionais de Produto.

Também vale lembrar que o ranking reflete a percepção dos participantes da pesquisa. Ele nos ajuda a entender quais organizações despertam admiração na comunidade, considerando experiências, reputação e visibilidade no mercado.

E entre as empresas brasileiras?

Quando olhamos exclusivamente para as empresas brasileiras, encontramos uma dinâmica um pouco diferente.

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iFood, Nubank, Itaú, Grupo Boticário e PM3 continuam ocupando as cinco primeiras posições.

Mas tivemos mudanças relevantes nas colocações seguintes.

A Natura passou da oitava para a sexta posição. A TOTVS chegou diretamente ao sétimo lugar, enquanto QuintoAndar aparece na oitava colocação, RD Station na nona e Bradesco na décima.

Outro movimento interessante aconteceu com o Wellhub, que saiu da 19ª posição em 2025 para a 12ª em 2026.

Também tivemos avanços de XP Investimentos e Caju, além da entrada de novos nomes no Top 20, como Globo, CI&T, Asaas, Localiza, Hotmart, Serasa, C6 e Petlove.

A comparação com 2025 mostra que o ranking brasileiro passou por mais movimentações do que o ranking geral.

Para mim, acompanhar esses resultados é interessante porque eles ajudam a observar como a comunidade percebe as empresas ao longo do tempo.

A reputação de uma organização também é construída pela forma como seus profissionais compartilham experiências, desenvolvem produtos, participam de comunidades e contribuem para as discussões da área.

Quando conectamos esse ranking aos dados sobre o que as pessoas valorizam em uma oportunidade de trabalho, temos mais elementos para refletir sobre atração de talentos e construção de marca empregadora.

As empresas estão entregando muito, mas quanto disso se transforma em resultado?

Um dos temas que exploramos nesta edição foi a maturidade das organizações de Produto.

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Aqui, encontramos uma relação particularmente interessante. 70,94% dos profissionais consideram clara a visão estratégica da empresa onde trabalham. Por outro lado, apenas 31,33% avaliam que sua organização possui maturidade alta ou muito alta em Produto. Quando aprofundamos esse cenário, encontramos outros números que ajudam a compreender a diferença.

Quase metade dos participantes, 49,68%, trabalha em empresas sem uma estrutura clara de progressão de carreira ou com pouca clareza sobre ela. Além disso, 79,84% dos profissionais estão em organizações que realizam lançamentos semanais, mensais ou trimestrais. A frequência das entregas é alta, mas os roadmaps continuam predominantemente orientados a funcionalidades.

Segundo o levantamento, 43,99% dos roadmaps são direcionados a features e entregas, enquanto apenas 15,28% priorizam outcomes e resultados. Esse conjunto de dados me fez refletir bastante sobre o que estamos considerando como maturidade em Produto.

Existe uma capacidade relevante de organizar e executar entregas. O desafio está em fortalecer a conexão entre essas entregas, as necessidades dos clientes e os resultados esperados pelo negócio. É uma discussão que envolve estratégia, discovery, autonomia, análise de dados e a maneira como as organizações medem o sucesso de seus produtos.

Também vale observar que decisões baseadas em dados aparecem como o principal desafio enfrentado nas empresas, sendo mencionadas por 52,42% dos respondentes. Esse dado ajuda a explicar parte da dificuldade que encontramos nos indicadores de maturidade. Mesmo com uma cadência elevada de entregas e uma visão estratégica relativamente clara, transformar informações em decisões consistentes continua sendo uma dificuldade importante.

Product Marketing ganha espaço nas grandes estruturas, mas a integração ainda é um desafio

Nesta edição, também aprofundamos a análise sobre Product Marketing e sua presença dentro das organizações.

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Esse foi um recorte interessante porque encontramos movimentos diferentes acontecendo ao mesmo tempo.

Em 2025, 47,07% dos profissionais afirmavam trabalhar em empresas sem pessoas dedicadas a Product Marketing. Em 2026, esse percentual chegou a 53,36%. Ao mesmo tempo, a participação de profissionais em empresas com dez ou mais pessoas dedicadas à área passou de 14,98% para 19,81%.

Isso significa que tivemos um crescimento tanto das empresas que não possuem a função quanto daquelas que já contam com equipes maiores. As estruturas intermediárias, com uma a seis pessoas, perderam participação, passando de 35,10% em 2025 para 23,28% em 2026.

Quando cruzamos esses resultados com o tamanho das empresas, o cenário fica ainda mais interessante.

Entre organizações com até 50 funcionários, 71,65% não possuem profissionais dedicados a Marketing de Produto. Já nas empresas com 900 ou mais pessoas, 35,03% contam com dez ou mais profissionais na área.

Outro resultado chamou minha atenção.

Mesmo entre profissionais que trabalham em empresas com Product Marketing, 62,55% afirmam não interagir com a área ou consideram que essa interação deveria ser maior. Isso mostra que ainda temos espaço para aproximar Product Marketing das decisões e atividades de Produto.

Estratégia de lançamento continua sendo a principal responsabilidade associada à função, repetindo o padrão observado em 2025.

Mas o desenvolvimento da área também passa por posicionamento, inteligência de mercado, comunicação de valor e participação ao longo de todo o ciclo de vida do produto.

Na remuneração, encontramos outro movimento interessante.

Entre Product Marketing Managers, a participação de profissionais nas faixas acima de R$ 21 mil passou de 3,03% em 2025 para 10,59% em 2026. O crescimento sugere uma ampliação do acesso da função às faixas salariais mais elevadas, embora a maior parte dos profissionais ainda esteja concentrada nas faixas intermediárias.

Quando olhamos para esses dados em conjunto, encontramos uma área com diferentes níveis de desenvolvimento entre as empresas.

Acredito que será interessante acompanhar como Product Marketing evolui nas próximas edições, especialmente em relação à integração com os times, à formação de lideranças e à participação nas decisões estratégicas.

Inteligência Artificial já faz parte do trabalho em Produto

Era esperado que a Inteligência Artificial tivesse um espaço importante nesta edição. Ainda assim, alguns resultados chamaram a atenção.

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As três principais prioridades de desenvolvimento profissional para os próximos dois anos estão relacionadas à IA.

Uso de IA para produtividade, escala e governança, e aplicação da tecnologia nos próprios produtos representam, juntas, 60,42% das prioridades identificadas. Quando olhamos para 2025, Inteligência Artificial já aparecia como uma das competências mais importantes para os profissionais, sendo citada por 51,31% dos participantes.

Na edição de 2026, decidimos aprofundar essa investigação, dividindo o tema em três frentes diferentes. Por conta dessa mudança, os percentuais não são diretamente comparáveis, mas o resultado mostra como a IA continua central nas expectativas de desenvolvimento profissional.

Também encontramos diferenças interessantes entre os cargos.

Entre Product Managers, escala, governança e guardrails do uso de IA aparecem com 24,81% das prioridades, enquanto o uso de IA no produto chega a 21,24%.

Entre Heads de Produto, a preocupação com governança é ainda maior, alcançando 27,84%. Já entre profissionais de Dados, o uso de IA para produtividade se destaca, com 36,17%.

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Esses recortes mostram como a necessidade de desenvolvimento varia conforme as responsabilidades de cada função. Ao mesmo tempo, os dados de adoção mostram que a tecnologia já faz parte de diferentes atividades da rotina profissional. Em quatro das cinco práticas analisadas, mais de 60% dos participantes afirmam utilizar IA frequentemente ou sempre. Na análise de dados, esse percentual chega a 70,09%.

Um ponto especialmente interessante é que IA aplicada ao trabalho também aparece entre as habilidades mais difíceis de desenvolver, citada por 14,72% dos respondentes.

Isso mostra que a adoção da tecnologia continua acompanhada de desafios de desenvolvimento profissional.

Usar ferramentas de IA nas atividades diárias exige aprendizado contínuo, especialmente quando pensamos em análise crítica, qualidade dos resultados, governança e aplicação em decisões de negócio.

Para os próximos anos, vejo esse como um dos temas mais importantes para acompanharmos.

A forma como os profissionais desenvolvem essas competências e como as empresas integram a tecnologia aos seus processos deve influenciar bastante a evolução da área.

O que o Panorama 2026–2027 nos ajuda a entender

Coordenar esta edição do Panorama foi uma oportunidade de olhar para diferentes dimensões do mercado de Produto e investigar relações que nem sempre aparecem nas discussões do dia a dia.

Alguns resultados confirmaram desafios que a comunidade já acompanha há anos. Outros trouxeram novas perguntas e possibilidades de análise.

O que mais me chamou a atenção foi perceber como os temas estão conectados.

A intenção de mudar de emprego se relaciona com as expectativas de remuneração e crescimento. A discussão sobre diversidade ganha profundidade quando observamos o acesso à liderança e às maiores faixas salariais. A maturidade das empresas passa tanto pela capacidade de entrega quanto pela clareza das decisões e dos resultados. E o crescimento de áreas como Product Marketing também traz questões sobre colaboração e integração entre diferentes disciplinas.

O ranking das empresas mais admiradas acrescenta outra perspectiva, mostrando quais organizações continuam presentes nas referências da comunidade e como essa percepção muda ao longo das edições.

A Inteligência Artificial acrescenta uma nova dimensão a esse cenário, trazendo oportunidades de produtividade e desenvolvimento de produtos, além de novas competências que precisamos construir.

São questões relevantes para quem atua na área, lidera equipes ou participa de decisões sobre o futuro dos produtos digitais.

Espero que os resultados desta edição ajudem a enriquecer essas conversas e, principalmente, tragam referências concretas para decisões de carreira e de negócio.

O Panorama do Mercado de Produto 2026–2027 está disponível gratuitamente.

Vale explorar o relatório completo, acompanhar os cruzamentos e entender como os diferentes resultados se relacionam.

Um último ponto sobre a importância de participar do Panorama

Quero aproveitar este espaço para compartilhar um pouco dos bastidores da construção desta edição.

Um dos maiores desafios que tivemos foi conseguir engajar os profissionais a participarem da pesquisa. Para chegar às 2.337 respostas que compõem o Panorama, 8.982 pessoas acessaram o questionário e 4.094 chegaram a iniciar o preenchimento.

Conseguir que mais de 4 mil pessoas começassem a responder já foi um marco importante para nós. Mas esses números também mostram o quanto ainda temos espaço para aumentar a participação da comunidade.

Fico pensando em como a pesquisa poderia ser ainda mais rica se 80% das pessoas que acessaram o questionário tivessem concluído suas respostas. Estaríamos falando de aproximadamente 6.287 participantes, ampliando nossa capacidade de investigar diferentes recortes, comparar resultados e compreender realidades que, muitas vezes, acabam pouco representadas.

Sei que responder a uma pesquisa extensa exige tempo e disposição. Também sei que, na correria do dia a dia, é fácil deixar um questionário para depois.

Mas existe algo que considero importante reforçar. Quanto mais pessoas participam do Panorama, mais perspectivas conseguimos reunir e mais profundas podem ser as análises sobre o mercado em que trabalhamos.

Cada resposta contribui para construir uma referência que pode ajudar profissionais a negociar salários, planejar suas carreiras e entender melhor suas oportunidades. Também oferece informações para empresas avaliarem suas práticas, desenvolverem seus times e tomarem decisões mais fundamentadas.

Por isso, quero agradecer a todas as pessoas que dedicaram parte do seu tempo para contribuir com esta edição.

E deixar um convite para as próximas. Quando o Panorama chegar até você novamente, participe e incentive outras pessoas da área a fazerem o mesmo.

A qualidade dessa pesquisa depende diretamente da participação da nossa comunidade. E quanto mais pessoas contribuírem, mais completo será o retrato que conseguiremos construir juntos.

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Perguntas frequentes sobre o Panorama do Mercado de Produto 2026–2027

O que é o Panorama do Mercado de Produto?

É uma pesquisa anual da PM3 que analisa o perfil, a carreira, a remuneração, as empresas, as competências e as tendências do mercado de Produto brasileiro. A edição 2026–2027 é a sétima do estudo.

Quantos profissionais participaram da pesquisa em 2026?

A pesquisa reuniu 2.337 participantes entre junho e agosto de 2026. O questionário contou com 52 perguntas principais e aprofundamentos sobre diferentes aspectos do mercado.

Qual é o salário médio dos profissionais de Produto?

A remuneração média estimada entre os participantes do Panorama em 2026 foi de R$ 13.011. O valor considera as faixas salariais declaradas e representa uma estimativa da amostra, podendo variar conforme cargo, senioridade e outros fatores.

Quais são as empresas mais admiradas pelos profissionais de Produto?

Em 2026, o iFood assumiu a primeira posição, seguido por Nubank e Itaú. O ranking também reúne empresas como Grupo Boticário, Mercado Livre, Google, Amazon, Apple, PM3 e Spotify.

Como está Product Marketing no Brasil?

O Panorama mostra que 53,36% dos profissionais trabalham em empresas sem pessoas dedicadas a Product Marketing. Nas organizações que possuem a função, 62,55% dos respondentes não interagem com a área ou consideram que a interação deveria ser maior.

Quais habilidades serão mais importantes para profissionais de Produto?

As competências relacionadas à Inteligência Artificial lideram as prioridades de desenvolvimento para os próximos dois anos, incluindo produtividade, governança e aplicação de IA em produtos digitais.

Onde acessar o Panorama do Mercado de Produto 2026–2027?

O estudo completo pode ser acessado gratuitamente nos canais oficiais da PM3.

Panorama 2026–2027 em resumo

O Panorama desta edição reúne um conjunto de descobertas que ajudam a entender o momento atual da área de Produto.

Entre os principais resultados, estão o crescimento nominal da remuneração abaixo da inflação, a diferença salarial de 12,3% entre homens e mulheres cis, a intenção de mudança de emprego de 54,86% dos participantes e o avanço expressivo da Inteligência Artificial nas prioridades de desenvolvimento profissional.

O ranking das empresas mais admiradas também trouxe mudanças, com o iFood assumindo a liderança depois de três edições consecutivas do Nubank na primeira posição.

A pesquisa ainda identifica oportunidades importantes para empresas que desejam amadurecer suas práticas de Produto, desenvolver carreiras mais claras, integrar melhor áreas como Product Marketing e aproximar suas entregas dos resultados de negócio.

Com 2.337 respondentes e análises que atravessam diferentes dimensões da profissão, o Panorama do Mercado de Produto 2026–2027 oferece uma referência para compreender o cenário atual e acompanhar as transformações dos próximos anos.