Raphael Farinazzo

Raphael Farinazzo

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Em uma das minhas primeiras atuações com tech e produtos digitais, eu trabalhava com projetos de intranet para grandes empresas. Portais com todo tipo de informações e funcionalidades que o RH e as lideranças julgassem relevante para todo o time.

Nessa mesma época, eu tinha um iPhone. Usava Instagram, Foursquare, Dropbox. Produtos que eram referência em endereçar um problema ou dor do usuário com a melhor experiência possível. Em paralelo, eu estava construindo as intranets mais complexas que você pode imaginar. Informações corriqueiras a 10 cliques de distância, páginas lentas para carregar, experiências ruins que resultavam de uma confusão generalizada entre clientes, stakeholders e time.

Foi ali que me perguntei pela primeira vez por que eu não conseguia fazer produtos como os que eu usava. 

Hoje eu sei a resposta: a grande maioria das pessoas envolvidas não tinha “product taste”. Uso aqui o termo em inglês, como tem sido usado no Vale do Silício, mas a tradução mais simples que posso oferecer aqui é “bom gosto em produto”.

O que é Product Taste?

Para não simplificar e ficar muito na superfície, vamos definir aqui como a capacidade de reconhecer o que torna um produto realmente bom e identificar o que ainda está aquém do esperado. 

Repare que estou falando de um produto realmente bom, não uma ideia brilhante ou um negócio lucrativo. Essas três coisas podem até andar separadas: há empresas faturando bilhões com produtos horríveis, simplesmente porque souberam construir um negócio sólido que independe da qualidade do produto.

Um bom produto não apenas endereça um problema e o resolve, mas faz isso de maneira a promover uma experiência positiva e até encantadora.

Há sempre muitas formas de resolver um problema. O product taste é exatamente o julgamento desenvolvido para escolher entre diferentes soluções possíveis, mesmo quando nenhuma delas é claramente errada.

É uma combinação de:

  • compreensão profunda do usuário;
  • repertório de produtos e padrões;
  • sensibilidade para experiência e detalhes;
  • visão de negócio;
  • conhecimento das possibilidades e limitações tecnológicas.

Como habilidade, o Product Taste ajuda a diferenciar um produto meramente funcional de um produto simples, coerente, útil e agradável de usar.

Quando a Inteligência Artificial permite construir soluções rapidamente, produzir algo com bom gosto e boa experiência se torna um diferencial ainda mais importante.

Qual a diferença entre Product Taste e Product Sense? E o business sense?

Pode parecer que o bom gosto e o bom senso são a mesma coisa, mas há ligeiras diferenças quando pensamos que cada um é uma habilidade diferente.

Para ajudar a diferenciar, pense que:

  • Product Sense ajuda a escolher o que construir e por quê.
  • Product Taste ajuda a julgar se a solução está realmente boa.
  • Business Sense ajuda a avaliar se a decisão gera valor sustentável para a empresa.

São três habilidades que andam muito próximas, é verdade. Chegam até a se sobrepor, embora seja possível ter uma delas e não as outras. Mas uma boa decisão de produto normalmente exige os três:

Problema certo + solução bem resolvida + lógica de negócio sustentável.

Para deixar ainda mais clara a diferença, veja a comparação a seguir:

Habilidade Product Taste Product Sense Business Sense 
Pergunta central Isso está realmente bom? O que devemos construir? Isso faz sentido para o negócio? 
Foco Qualidade e refinamento da solução Problema, usuário e direção de produto Receita, custos, mercado e sustentabilidade 
Capacidade principal Reconhecer e elevar a qualidade Identificar boas oportunidades e soluções Avaliar criação e captura de valor 
O que acontece quando falta Um produto funcional, mas confuso, difícil de adotar, não encanta. Um negócio bem pensado em torno de um produto que não gera valor relevante para o usuário. Produto funcional e valioso, mas não gera retorno para o negócio. 
Resultado esperado Solução bem resolvida Produto relevante Negócio viável 

Como desenvolver Product Taste?

Entender profundamente o usuário. Não apenas sua dor, mas como ele resolve o problema hoje, quais produtos utiliza, com quais interfaces está acostumado e que expectativas leva para cada nova experiência. Na PM3, endereçamos esses pontos principalmente na Formação em Product Discovery, mas em todas as outras formações você tem insights de como investigar e entender mais sobre o usuário.

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Ampliar e diversificar o repertório. Seja heavy user de outros produtos, mas não fique restrito ao seu mercado. Observe como diferentes setores resolvem problemas semelhantes e procure padrões entre soluções excelentes, medianas e ruins. Na PM3, ajudamos nossos alunos a ampliar esse repertório em centenas de cases de diferentes segmentos e tamanhos de empresa, distribuídos em todas as nossas formações e cursos.

Aprender com quem já elevou a barra. Estude como profissionais experientes constroem produtos, quais alternativas consideraram, como tomaram decisões e quais resultados alcançaram. Por isso, a PM3 seleciona profissionais que são referência no Brasil e no mundo para compartilhar não apenas conceitos, mas sua experiência prática.

Manter-se próximo da comunidade. Muitas ideias surgem, são questionadas e evoluem em conversas com pessoas que enfrentam problemas semelhantes. Na comunidade da PM3, as atividades ao vivo, os meetups e as mentorias individuais criam espaços para essa troca.

Decompor os produtos que você utiliza. Pergunte-se qual problema resolvem, o que fazem bem, o que poderia ser melhor e por que determinadas decisões de produto e experiência provavelmente foram tomadas. Os fundamentos e as técnicas ensinados na PM3 ajudam a transformar uma impressão vaga em uma análise mais estruturada.

Combinar intuição com evidências. Quanto maior o repertório, mais apurado tende a ser o julgamento. Mas não confie apenas nele: escute feedback, observe o uso e colete evidências. Sempre que possível, faça rollouts progressivos, começando com poucos usuários e usando cada etapa para melhorar a seguinte. Na PM3, você desenvolve isso nos cursos e formações que abordam análise de dados, experimentação e testes A/B.

Por onde começar?

Product Taste não é algo que você tem ou não tem. Embora pareça que “bom gosto” é algo que nasce com a gente, na verdade é o contrário: é uma capacidade que se desenvolve com repertório, prática, reflexão e feedback.

Quanto mais você entende os usuários, observa boas soluções, conhece as decisões por trás delas, constrói produtos e confronta sua intuição com a realidade, mais apurado se torna seu julgamento.

Em um cenário de Inteligência Artificial, no qual construir está cada vez mais fácil, saber reconhecer o que vale a pena construir (e quando uma solução está realmente boa) tende a ser um diferencial cada vez maior na sua carreira.